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Carregamos o Menino de Belém que Caminha para Jerusalém

Carregamos o Menino de Belém que Caminha para Jerusalém

“O povo, que andava na escuridão, viu uma grande luz; para os que habitavam nas sombras da morte, uma luz resplandeceu” (Is 9,1). O profeta que muito nos falou no Tempo do Advento sobre a preparação para a chegada de Deus, hoje grita aos nossos ouvidos: “A luz resplandece no meio de nossas trevas”. A luz é um Menino! Ele é o caminho da nossa Vida. Eis o profundo motivo do nosso louvor nesta noite tão santa!

O Mistério do Natal não é somente um “admirar-se” com o nascimento de Deus entre os homens, mas é a celebração da grande Misericórdia de Deus: Deus ama imensamente o homem e as suas dores, e nos dá seu Filho como grande dom de Misericórdia. Santo Agostinho, ao comentar sobre a superação desse “admirar-se” nos diz: “Ficas muito admirado quando dizemos que nasceu de uma Virgem. Não te admires, é Deus: a admiração dê lugar ao louvor. Torne-se presente a fé: acredita, porque aconteceu. Se não acreditares naquilo que aconteceu, permaneces infiel. Dignou-Se fazer-Se homem: que mais queres?… Estreito era o estábulo: envolvido em panos, foi colocado numa manjedoura. Escutaste-O quando se leu o Evangelho. Quem haverá que não se admire? Aquele que enche o mundo só encontrou lugar num estábulo; colocado na manjedoura, tornou-Se alimento para nós…”

Diante dessa explicação tão cheia de sentido feita por santo Agostinho, como não passar da admiração ao louvor?! Deus se fez homem, veio habitar em nosso meio, abaixou-se a tal ponto de ser colocado numa manjedoura, que já é prelúdio da humilhação na hora da Sua paixão. Não nos espantemos, o Natal do Senhor aponta para o Calvário, para a Sua Morte na cruz. O mistério da nossa salvação une vida e morte: o Menino de Belém que caminha à nossa frente e nos toma pela mão é o mesmo que dá a Vida numa cruz e que ressuscita, vencendo as nossas mortes.

A luz do Menino de Belém enche o mundo e suas dores da alegria de Deus. Ele é maior do que todos os lugares do mundo, mas ao nascer, só encontrou lugar na casa do Pão, em Belém. Aqui já podemos compreender concretamente e, também, com o coração e os sentidos, que Cristo não poderia ter nascido em outros lugares, mas em Belém, naquela cabana. A luz de Deus brilha no meio das trevas, e não somente brilha, mas alimenta a todos com o Pão que nasce na simplicidade de uma manjedoura (Tt 2,11: A graça de Deus se manifestou trazendo salvação para todos os homens”).

O Menino, o nosso pequeno Rei de luz forte, se torna nessa noite santa o nosso único motivo de louvor e, com o profeta Isaías, podemos dizer que Ele faz crescer a alegria e aumenta a fel
icidade do mundo (Is 9,2). Alarguemos nossas cabanas interiores, abramo-nos por inteiro a esta luz salvadora que enche o mundo de reconciliação e de paz. Jesus, o Príncipe da Paz, já abateu a carga do pecado que nos oprimia, que pesava sobre os nossos ombros.

Belém e Jerusalém não são somente cidades importantes da história cristã, elas são o ápice da história do amor entre Deus e os homens. A manjedoura de Belém é o altar onde depomos o Pão e o Vinho que se transformarão no Corpo e Sangue do Menino de Belém, que é também Pastor Ferido, lado aberto que jorra a Salvação. Tudo dito até agora é Mistério, não se pode querer compreender e acolher esse tão grande mistério somente com o caminho da razão, precisa-se do caminho da fé arraigado na humildade e no despojamento.

Podemos ainda meditar muitas coisas sobre o Natal do Senhor e jamais esgotaríamos o seu sentido, porque Deus é luz acessível, mas também é mistério que veio das alturas. Contudo, ouso meditar um pouco sobre o caminho da fé que devemos trilhar dentro desse tão grandioso mistério. Atenhamos os nossos olhos para o presépio, e escutemos com atenção o que nos diz santo Agostinho: “Olha para o presépio e não te envergonhes de ser o jumento do Senhor. Levarás Cristo, e não te enganarás no caminho que percorres, porque sobre ti vai o caminho… Vá sentado sobre nós o Senhor e chame-nos para que O levemos aonde Ele quiser. Somos o seu jumento e vamos à Jerusalém…”

O caminho da vida exige uma adesão existencial com o Menino de Belém, com Jesus. Não se pode pretender um caminho que não seja o caminho de Jesus, do seguimento radical e feliz do Evangelho. Levamos sobre os nossos ombros Aquele que é o próprio caminho, Aquele que faz resplandecer a vida e a luz entre os homens. Sua luz brilha nas trevas do egoísmo, das guerras e das ideologias. E como nos assegura São João, nada pode deter e nem dominar a luz de Cristo (Jo 1,5). O caminho que levamos sobre nossas escolhas fundamentais é Cristo e Sua Palavra, nosso testemunho deve gerá-Lo para o mundo, testemunho que faz a Palavra, o Verbo de Deus, se encarnar nas ruínas do mundo (Jo 1,14). Tudo isto, é muito forte e para além de nossos bons propósitos e desejos, e por isso, necessitamos contar com a oração Daquela que perfeitamente levou Cristo sobre si: a Virgem Maria, a portadora de todas as graças de Deus. O sim dela carrega a força do Salvador que se tornou a grande luz a nos tirar das trevas. Por ti, ó Mãe, damos o nosso louvor ao Maravilhoso Rei que nos salva, o Príncipe da Eternidade, Aquele que é Menino repousado sobre a manjedoura de Belém e que também repousou sobre o Altar da Cruz, como luz a resplandecer sobre as trevas do mundo e dos homens.

Pe.Marcelo Monte De Sousa
Paróquia de Aparecida – Valentina
Arquidiocese da Paraíba

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