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Homilia do Arcebispo: O Povo Ama O Sacerdote

Homilia do Arcebispo: O Povo Ama O Sacerdote

Ser padre é um dom, nós não somos padres porque queremos, simplesmente, porque Deus nos chama. Veja o profeta Jeremias: o Senhor chamou para a missão de anunciar a Palavra e ele não queria. Dentro dele tinha uma resistência, um medo, um receio ‘eu sou jovem, não estou preparado’. E o que o Senhor disse a Jeremias? “Você vai onde Eu mandar e vai dizer o que Eu vou colocar na sua boca. Não tenha medo, porque Eu estou contigo!”, porque é Deus quem chama e quem envia, nós recebemos Dele a graça correspondente para cumprirmos esta missão.

Certamente, como seres humanos, nós temos medos: de agradar; medos de não corresponder a expectativa da assembléia, da comunidade; temos medo de não atingirmos aquele ideal que imaginamos ser. Nada disso importa, o que importa é cumprirmos a Palavra de Deus, o mandato Dele: “Vai! Vai aonde eu estou enviando, vai dizer o que eu estou mandando dizer. Eu vou estar contigo, então vai tranquilo.” Por isso que a vocação é um dom, a vocação do ministério sacerdotal onde Deus chama, prepara, unge e envia.

Pedro foi interrogado três vezes:

“- Tu me amas?

– Sim Senhor, Tu sabes que eu te amo.

– Pedro, tu me amas?

– Sim Senhor, Tu sabes que eu te amo.

– Pedro, tu me amas?

– Sim Senhor, Tu sabes que eu te amo. O Senhor conhece tudo, sabe de tudo…”

Por que Jesus insistiu tanto com Pedro sobre o amor? Nós só temos direito de apascentar, cuidar do rebanho do Senhor, se amamos o Senhor. Esse amor a Jesus Cristo que sustenta o nosso ministério, é nele que nós somos configurados sacerdotes, é seguindo o que Ele nos diz que vamos cumprir a nossa missão e tudo o que fizermos como ministros Dele deve ser porque O amamos. Não é por outro motivo, não é porque nós queremos atingir um “status” na Igreja, na sociedade, que nos tornamos ministros de Deus; não é porque a comunidade precisa de padres, nem é por isso! Não é porque a Arquidiocese da Paraíba é muito grande e tem muitas comunidades, muitas paróquias, é uma Igreja viva e vai gerando vocações. É porque nós tivemos um encontro com o Senhor e Ele nos atraiu, nos conquistou. O Amor do Senhor para conosco é tão grande e nós nos rendemos a esse Amor e por isso nos tornamos seus seguidores e Ele nos envia a servir o seu povo por amor a Ele. Então não cabe no ministério sacerdotal outras coisas: vaidade pessoal, projeção, “status”, vantagens… isso não faz parte da visão, da cosmovisão do ministro de Deus. E para isso, nós precisamos contemplar onde foi que Jesus Cristo realizou, definitivamente, a sua missão sacerdotal: na cruz. Despojado, sem nada de próprio, nu, ferido. Nós sabemos o retrato triste do crucificado e Ele podia evitar tudo aquilo! Aceitou morrer na cruz para afirmar, categoricamente, o Seu Amor para com todos nós, para dizer a cada um “Eu te amo! Não perca a esperança, Eu estou do teu lado, Eu te Amo!” Ressuscitou glorioso, vitorioso, para nos fazer acreditar na força do amor que faz renascer para a vida que não terminou. É por isso que nós nos tornamos seus ministros, para sermos como Ele: servidor. Servidores, como Ele foi Servidor.

Servidor da humanidade, não guardou nada para Si, entregou-Se totalmente para nossa salvação, doou-Se plenamente para nós. Aqui está a raiz do sacerdócio! Aqui está a motivação primeira para sermos discípulos seguidores de Jesus Cristo. Jesus nos amou primeiro, nós temos que dizer três vezes, como Pedro: “Senhor, eu te amo! Senhor, eu te amo! Senhor, Tu sabes tudo, tu sabe que eu te amo!”, mas vamos dizer isto concreto, da nossa vida: a nossa paciência no exercício de sacerdote, no acolhimento do irmão que o Senhor nos manda para cuidar dele, para perdoar os pecados, para orientar pelos caminhos certos.

Devemos dizer “Senhor, te amo”a cada dia na celebração da Eucaristia, oferecendo o sacrifício por si mesmo e pelo povo; cada vez que celebramos o sacramento do batismo, que abençoamos uma família, que ungimos um doente, um enfermo, devemos estar dizendo a Jesus Cristo: “Faço isso tudo Senhor, porque te amo!”.

O ministério sacerdotal nasce da Cruz. Não se enganem, meus irmãos, não há coerência na vivência do ministério sacerdotal sem sofrimento, sem renúncia, sem sacrifício, porque se fosse assim, não seríamos sacerdotes de Jesus. Nós pagamos um preço alto para viver o nosso ministério sacerdotal na renúncia: não casamos, não constituímos uma família, uma renúncia grande. Sentimos falta da companheira, sentimos falta dos filhos, do afeto, do carinho… é uma renúncia grande! Mas, maior do que isso, é o nosso amor a Jesus Cristo.

Assumimos o celibato. Como é difícil viver, nesse tempo, a castidade; sermos fiéis a Jesus Cristo na renúncia de uma prática sexual, nesse mundo tão mergulhado no prazer… é um sacrifício grande! É uma renúncia grande, mas o fazemos em nome de Jesus Cristo, por amor a Jesus Cristo. Se não for assim não tem sentido o celibato.

A obediência à Igreja, a obediência ao bispo, a obediência aos documentos da Igreja, nos faz renunciar muito nesse mundo da liberdade em que cada um faz o que quer, diz o que quer! E o sacerdote: “prometo ao meu Bispo a obediência, prometo obedecer a Deus, prometo estar inteiramente a serviço da minha paróquia” – Estar inteiramente a serviço da paróquia não é estar aos finais de semana na paróquia não! O padre tem um dia de folga, que é a segunda-feira. Terça-feira cedo já devia estar na paróquia. Terça, quarta, quinta, sexta, sábado, domingo. O dia livre do padre é a segunda! Se não puder na segunda, tira um outro dia, mas é um dia por semana como todo cidadão precisa de um dia de descanso, o padre precisa do seu descanso, mas é um dia só! Padre que só atua no final de semana, não está se doando a Jesus Cristo por amor. – Sejam verdadeiros! Se doem plenamente! Cansados, continuem se oferecendo, se imolando, como uma vela que vai se queimando para fazer a luz brilhar, assim é o sacerdote: vai se doando, se imolando, se queimando, para fazer a Luz de Jesus Cristo brilhar. Isso não é triste não, isso é bonito demais! É maravilhoso! E vocês, que assumem essa vida, parabéns! Porque fizeram a opção por Jesus Cristo e não por outra coisa. Vocês, jovens, muitos já com profissão definida, trabalhando na sociedade, abrir mão de um projeto pessoal para se colocar a serviço da Igreja. Parabéns pela coragem à decisão de vocês! Vocês passaram por muitas situações difíceis neste período de preparação e, com paciência, estão aqui, são vitoriosos! Superaram! Merecem a ordenação presbiteral, (palmas para eles) porque foram pacientes, se superaram, deram demonstração de que podem estar a serviço do Senhor Jesus Cristo e o Amor ao Senhor Jesus Cristo foi maior. Qualquer um teria mudado de vida: “Não dá certo! Eu vou fazer outra coisa! O mundo é grande!” A perseverança de vocês foi um sinal inequívoco da vocação de vocês, por isso, os ordeno com muita confiança, e a graça de Deus age em vocês. Vocês estão aqui porque foram tocados pelo Amor de Jesus Cristo, e o “sim”, a resposta de vocês, vai corresponder a esse Amor incomensurável do Filho de Deus. Então digam sempre e em todas as circunstâncias, a Jesus Cristo: “Eu te amo!”, tudo o que eu vou fazer daqui para frente é por Ele, por Jesus.“Jesus, eu te amo!” cansado, enfrentando dificuldades, barreiras, fazendo renúncias, mas dizendo sempre a Jesus: “eu te amo!”. Assim o ministério presbiteral de vocês será uma grande benção e vocês irão percorrer um caminho de santidade, porque quem assume esse ministério é para ser santo, não é para ser igualzinho aos outros não! É para ser santo! Então, tenham postura de sacerdote, caminhem segundo as orientações da Igreja e correspondam também ao anseio do Povo. O povo ama o sacerdote! Ó que maravilha a presença de tanta gente aqui hoje, porque o povo acredita no sacerdote! Então, correspondam a essa crença do nosso povo, a dignidade e a santidade do sacerdote. Sejam muito felizes, contem com o apoio do bispo de vocês, tenham toda a confiança. Ajudarei vocês no que for possível! Como vocês encontraram até agora um pai, vão continuar encontrando um pai, às vezes puxando a orelha, às vezes dizendo “não é assim!”, às vezes dizendo “aguentem firme nisso aí!”, mas estarei sempre do lado de vocês. Amém? Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo.

Dom Manoel Delson
Arcebispo Metropolitano da Paraíba

Fonte: Arquidiocese da Paraíba

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